A marginalização da arte ou a arte da marginalização?

Em Porto Alegre recentemente ocorreu um fato inusitado que está intrigando e até mesmo indignando muitos cidadãos. Um grupo de uma comunidade pagou para um grafiteiro realizar uma homenagem com a imagem de um traficante morto em janeiro. Com isso me pergunto: isso seria a arte da marginalização ou a marginalização da arte?


A “homenagem” foi ao traficante conhecido como Xandi, morto em janeiro no litoral do Rio Grande do Sul. Conhecida por vários programas de incentivo às artes principalmente com oficinas nas escolas e projetos na periferia da cidade Porto Alegre também recebe a Bienal do Mercosul, o povo gaúcho convive muito direta e indiretamente com arte contemporânea, nas ruas, nos pontos turísticos etc.

O grafite é uma forma de arte que consiste em uma pintura por meio de spray. Agora o que temos de saber é até que ponto a sociedade está pronta para compreender o grafite mostrando o lado marginalizado e oculto que passa a não ser mais tão oculto assim por meio desta linguagem artística?
Para a pintura foi utilizada uma parede do condomínio na zona leste de Porto Alegre e segundo um delegado que foi procurado por um jornal para falar sobre o caso, nada pode ser feito, pois os moradores não se manifestaram contrários à obra.

O próprio muro da Mauá no Centro Urbano da capital é muito famoso por seus grafites em sua toda sua extensão localizado no Cais do Porto, espaço cultural que recebe feiras e eventos culturais, mas que atualmente está em um embate forte sobre a incerteza de seu futuro. A grande inquietação do momento é cidadãos de bem, gostam da arte, pois a arte é vista como algo positivo, educativo, cultural para valoração das pessoas e isto implica em qualidade de vida e bem estar. Agora quando um fato como essa intriga os indivíduos é necessário refletir sobre o olhar crítico que devemos ter sobre a “arte” em questão.

Qual mensagem tal acontecimento quer nos transmitir? Que mensagem? A arte deixa de ser arte apenas porque retrata a marginalização da cidade ou a marginalização da cidade acabará retratando a banalização da arte?

Não sou crítica de arte para ter as respostas corretas para estas formulações, mas o que penso como porto-alegrense é que Porto Alegre que recebe o Fórum Social Mundial deve repensar até que ponto os universos se entrelaçam. Como sendo uma função estética de manifestação social por meio da linguagem e potencial de leitura crítica sobre o que tudo isso quer nos dizer e como trabalhar com os imprevistos e a liberdade de expressão dos grupos urbanos e seus próprios enunciados.

A realidade é que Educação, Cultura e Liberdade de Expressão estão integradas no cenário desenhado por este ato inusitado e que querendo ou não a população de Porto Alegre terá que “engolir”. E você o que pensa sobre o assunto?

Por Maira Penteado / Obvious 
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